quinta-feira, 1 de setembro de 2022

Peixe-leão chega à costa do Rio Grande do Norte e preocupa pesquisadores

 


Conhecido pelos danos causados à biodiversidade marinha e pelo comportamento predador que ameaça a atividade pesqueira, o peixe-leão foi encontrado pela primeira vez na costa do Rio Grande do Norte. Um animal adulto foi capturado no último dia 29 de julho em Tibau. Duas semanas depois, outro peixe foi encontrado na costa do município de Porto do Mangue.

A espécie típica do Indo Pacífico não tem predadores naturais na região e se reproduz rapidamente, gerando prejuízos ao meio ambiente e às comunidades de pescadores. “Como não encontra predadores naturais, ele vai se reproduzir à vontade e, além disso, ele tem uma taxa de reprodução muito alta. É um peixe que cresce rápido e que é muito resistente a parasitas”, afirma a bióloga Emanuelle Fontenele Rabelo, coordenadora do Laboratório Ecologia Marinha da UFERSA. “É um animal perigoso que ameaça a biodiversidade e a pesca, podendo comer 20 peixes em menos de meia hora”.

Ao receber a informação de que um peixe-leão foi encontrado na costa do Rio Grande do Norte, a pesquisadora iniciou uma campanha de alerta e conscientização junto a pescadores da região. A preocupação é motivada pela presença constante de animais dessa mesma espécie em Estados vizinhos. “Só entre os meses de maio e junho recebemos o registro de 75 peixes-leão encontrados por pescadores do Piauí e do Ceará”, diz Emanuelle Rabelo.

A corrida agora é contra o tempo, já que a única forma de combater a proliferação da espécie é por meio da pesca manual. O comportamento e a própria imagem do peixe-leão, no entanto, assustam pescadores. “Ele tem 18 espinhos venenosos que ameaçam a saúde de seres humanos. O veneno não é fatal, mas deixa a pele inflamada e requer acompanhamento médico”, conta a bióloga da UFERSA.


Via Defato